quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Poder e Responsabilidade

Ter poder é outorgar poder aos outros, mas nem todo mundo quer esse poder, porque junto com ele vem a responsabilidade, “sabemos que a criança, desde cedo, quer o poder, mas não quer a responsabilidade”¹ e é aí que o poder se torna despótico e abusivo, pois fica centralizado nas mãos de quem não quer cedê-lo e não tem responsabilidade para administrá-lo.

Carl Jung duvidava que amor e poder pudessem coexistir em uma só pessoa: “Onde reina o amor, não existe nenhuma vontade de poder; e onde a vontade de poder predomina, falta amor. Um não é mais que a sombra do outro.”² – Discordo dessa perspectiva, uma vez que, Jesus foi amoroso e poderoso e o amor é quem outorga poder e esse poder necessariamente deve vir acompanhado de responsabilidade, Jesus pregava a autonomia de seu povo outorgando poder a eles e fazendo-os pensar na sua própria situação de opressão, assim, a liberdade e a salvação consistem em usar esse poder outorgado e nato de todos para seu bem e dos outros.

1 Pertencendo ao Universo, p.170
2 Amor e Poder, p.40

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

PENSANDO NA MORTE

Estive pensando na morte, por que temos medo da morte? Por que temos medo de alguma coisa? Por vários motivos, não quero discutir psicologia aqui, o fato é que temos medo do que ainda não conhecemos, do que ainda não vivenciamos, é como ir ao médico fazer um exame que você nunca fez ou se tratar em uma cirurgia, temos medo porque não conhecemos a situação. Com a morte é a mesma coisa, não sabemos como é, de fato, morrer, nem o que vem depois.

No entanto cheguei a conclusão de que a morte é contínua e vivenciada o tempo todo, não exatamente com os outros que morrem, mas consigo mesmo. Morrer é simplesmente mudar de estado, passar a ser outra coisa, em outro lugar ou aqui mesmo. Quando saímos da ignorância para o saber formal, proporcionado pela escola, a ciência, filosofia, religião por exemplo, morremos para o que eramos antes, vivíamos a ignorância e morremos para ela tornando-nos vivos de outro modo, mais sábios. Morrer é isso, é viver de outro modo e, aquele momento da morte que pode ser curto ou longo é nada mais do que um período de transição para algo bom ou ruim, não importa, mas com certeza diferente.


Por isso aquele que não sabe morrer terá sérios problemas em sua vida, pois nunca evoluirá.

sábado, 14 de setembro de 2013

Me aventurando com Nietzsche.

O ERRO DE CRISTO

“O fundador do cristianismo pensava que nada fazia sofrer mais os homens que seus pecados: - era um erro, o erro daquele que se sente sem pecados, que não tem experiência disso! Assim sua alma se encheu com essa maravilhosa piedade por um mal de que seu próprio povo, o inventor do pecado, sofria raramente como de um grande mal! - Mas os cristãos souberam, uma vez a coisa feita, dar razão a seu mestre: santificaram seu erro para fazer dele uma 'verdade'.”
(Nietzsche)

O ERRO DE NIETZSCHE

De fato, talvez a pessoa que peque não sofra pelo pecado que cometeu, afinal o pecado não foi contra si, talvez quem roube não sofra por ter roubado, pode até sentir prazer, no entanto, quem teve algo roubado sofre e é aí que mora o sofrimento do pecado, no outro. Assim um pecado de alguém gera um sofrimento alheio, quem mais sofre é a vítima não o pecador. É por isso que, teoricamente, quem sofre é quem é salvo. E Jesus veio para salvar seu povo,um povo que é dualmente pecador e vítima e que, portanto, precisa dessa “maravilhosa piedade”.

Acredito que o erro de Nietzsche tenha sido em identificar o sofredor, não o encontrando na pessoa do pecador supos que aquele povo, “inventor do pecado”, logicamente composto por pecadores não sofria daquele mal.

(Gabriel)

terça-feira, 2 de abril de 2013

A mudança é a alma do negócio

Este é um livro para ajudar no seu desenvolvimento pessoal, enfatizando a necessidade e a importância da mudança tanto na vida profissional quanto na pessoal. Traz uma série de "ferramentas" que o ajudará a entender situações num contexto de constante mudança para que você  a entenda [a mudança] e saiba lhe dar com ela da melhor forma possível.

Dividido em três capítulos, subdivididos por sua vez em subtópicos, e estruturado de maneira a poder ser lido de forma não linear, conforme sua vontade, temos: Capítulo 1 - Convicções Poderosas, que o ajudarão a entender a suas convicções que lhe ajudam ou lhe atrapalham no processo de mudança positivo, as sua convicções são o ponto de partida, pois, são com elas que tudo começa, seus pensamentos e atitudes são direcionados segundo suas convicções, esta é a tese central. No capítulo 2 - Caráter Poderoso, você será estimulado a desenvolver seu caráter, a usar suas emoções, ter sempre um objetivo claro e, mais uma vez, direcionar sua convicções para alcançar seus objetivos. Já no capítulo 3 - Atitudes Poderosas, temos dicas de atitudes que podem ajudá-lo a perseverar no processo de mudança com atitudes que deve tomar, habilidades que deve desenvolver e posturas que deve assumir são discutidas nesta parte final.

Como o livro é um guia para a mudança, ele traz questionários para que você possa medir seu estado atual, de forma quantitativa mesmo, e com isso direcionar o que deve ser dado mais ênfase segundo suas necessidades.

Autor: Pat McLagan
Editora: Record
Ano: 2004
ISBN: 85-01-06569-2

segunda-feira, 25 de março de 2013

As minas de prata

Romance histórico publicado em 1862, baseado em uma lenda e ao mesmo tempo em fatos históricos do século 17, mistura fantasia e realidade numa história que, apesar  da tradicional chatice do português erudito e de algumas passagens melosas, consegue lhe prender em situações inusitadas e interessantes.

Toda a trama se passa em torno da descoberta das minas de prata, cujo descobridor não conseguiu provar sua existência, pois morreu antes disso, mas teve tempo de deixar o roteiro como herança para seu filho que ao se tornar adulto toma conhecimento das minas, soma-se a isso, no mesmo período, um jesuíta inescrupuloso, e um governador enviado da Espanha, todos em busca do mesmo objetivo, pegar o roteiro e descobrir as minas de prata primeiro.

De resto o livro demostra a habilidade literária de José de Alencar que descreve figuras, paisagens e contextos com grande riqueza de detalhes colocando o leitor mais próximo da história, envolvendo-o, o que compensa a temporalidade de um livro escrito de modo não muito atrativo hoje em dia.

Autor: José de Alencar
Editora: Ática
Ano: 2001 (publicação original de 1862)
ISBN: 85 08 07759 9
Edição condensada
Série Bom Livro

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A ciência através dos tempos

Este é um livro introdutório para quem quer conhecer a História e evolução da produção do saber científico, com linguagem clara e objetiva o autor dialoga com o leitor como numa viagem pelo tempo conhecendo os principais períodos e seus personagens significativos de cada época na evolução do que hoje chamamos de ciência.

A análise histórica proporciona uma visão geral da sucessão dos fatos mais marcantes, começando na antiguidade e dividido em influências teóricas de civilizações e seus respectivos territórios, temos os egípcios, mesopotâmios, hebreus, hindus e chineses com suas contribuições científicas. Em seguida é apresentada a estruturação do conhecimento pelos gregos perpassando pela ciência helenística e romana no começo da era cristã.

Um tratamento especial é dado aos árabes, discutindo se são "plagiadores ou criadores?" Aqui tem-se o cuidado de destacar as contribuições deste povo tentando refutar preconceitos a respeito de sua participação na história da ciência, mostrando como os árabes assimilaram a influência de outros povos como hindus e chineses e também fizeram suas próprias contribuições.

Um parêntese é feito para falar sobre a história da ciência latino-americana, tentando evidenciar as contribuições de povos como os incas, que tão incrivelmente se desenvolveram na agricultura, astronomia, arquitetura, engenharia, medicina etc, estes foram marcos conceituais para definir o desenvolvimento científico de povos antigos, o uso prático do conhecimento nestas áreas.

Continuando, voltando para a Idade Média, são discutidas as influências do cristianismo na ciência, sua relativa dormência e baixos avanços, o papel da alquimia que mais tarde dar lugar a química e  o surgimento da universidade como local de produção do conhecimento finaliza esta parte.

Depois da dormência da Idade Média vem o Renascimento com reformas no modo de pensar tanto a religião quanto a ciência, a contribuição da imprensa na disseminação do conhecimento e sua posterior transmissão. Assim, a partir do Século XVII as coisas ficam mais frenéticas, a ciência moderna adquire status e Copérnico inaugura uma nova fase continuada por Bruno, Brahe e Kepler rumo ao heliocentrismo perpassando pela ciência experimental de Bacon e as contribuições de Descartes, Galileu, Newton e a Inquisição em meio a isso tudo.

No Século XVIII o Iluminismo inova com o rompimento do saber científico e o religioso, as enciclopédias viram ícones da nova luta pela liberdade intelectual. Na química, Lavoisier é considerado o maior nome para a consolidação desta como ciência. Chegando ao Século XIX há a consolidação definitiva da ciência, química  física, biologia e as contribuições de Marx na política, economia, história dentre outras.

Na virada do Século XIX - XX ocorrem grandes transformações num curto período de tempo, considerando os eventos até então, muitas descobertas que transformaram o mundo como a descoberta do raio X, elétron, radioatividade e teorias como a da relatividade são todas apresentadas num curto período de mais ou menos uma década. As descobertas em torno do átomo no século XX e ainda um recorte especial para falar sobre Freud.

Finalmente o século XXI é apresentado, com uma discussão sobre a ciência presente nos saberes populares, os problemas éticos enfrentados e um pouco da história da ciência no Brasil. Como o próprio autor ressalta, faltam mais detalhes na evolução de ciências como a Astronomia, Biologia etc, até mesmo devido a limitação de ser somente uma obra introdutória na qual se pretende apresentar os fatos mais significativos, porém é apresentada uma vasta bibliografia e dicas de livros para quem quer se aprofundar em determinados assuntos discutidos.

Autor: Attico Chassot
Editora: Moderna
Ano: 2004, atualizado em 2011
Edição: 2
ISBN: 85-16-03947-1


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O que Einstein disse a seu cozinheiro: a ciência na cozinha 1


Se você gosta de cozinhar ou simplesmente é curioso ou as duas coisas juntas irá gostar deste livro, Robert L. Wolke, Professor Emérito de Química da Universidade de Pittsburgh, traz neste livro explicações científicas envolvidas na cozinha, com uma linguagem clara e bem humorada você ficará sabendo coisas do tipo por que nada gruda nas frigideiras antiaderentes? É possível cozinhar um ovo no asfalto num dia quente? Como a água ferve? E por aí vai. Ah! Ainda tem receitas.

Dividido em nove capítulos com temas muito interessantes, os textos são sempre precedidos por perguntas enviadas por seus leitores, estruturado de foram a facilitar a consulta por temas. No capítulo 1 A doce vida, aprenda sobre carboidratos, açúcares, chocolate, adoçantes e todos os sabores envolvidos, a propósito você sabia que chocolate branco sequer contém chocolate? Pois é. No capítulo 2, O sal da terra, veja o que é e como usar o sal na sua cozinha, sem preconceito. Capítulo 3 A loucura da gordura, é indicado para a(o)s paranoica(o)s de plantão que não querem ganhar uma grama sequer, descubra objetivamente a importância da gordura na cozinha e na sua alimentação, longe das baboseiras da TV, aqui você encontra óleos, manteigas e até miojo.

Capítulo 4. Química na cozinha, descubra como funcionam os filtros de água, o milagroso Aji-no-moto que realça o sabor dos alimentos, como ele funciona? Leia e descubra! No quinto capítulo, Por campos e mares, impressione-se com as carnes, vermelhas, brancas; de bichos terrestres e aquáticos, veja como funciona a salmoura na conservação dos alimentos. Capítulo 6, fogo e gelo, aprenda a usar os dois lados da cozinha, pois, quase tudo que você faz na cozinha é com fogo ou gelo. Sétimo, Liquido e certo, descubra mais sobre o velho e bom café, chás, refrigerantes e bebidas alcoólicas, de quebra tenha uma aula sobre como abrir uma garrafa de champanhe. O que são micro-ondas, leia o capítulo 8 e descubra. Finalmente o nono capítulo, ferramentas e tecnologias, apresenta diversas utilidades, tudo cientificamente pensado, para se dar bem na cozinha.

Autor: Robert L. Wolke
Tradutor: Helena Londres
Editora: Zahar
Ano: 2003
ISBN: 978-85-7110-692-5